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Terra Blog

01.02.08

Helvética

Essa com certeza é um dos tipos mais usados e admirados pelos jovens designers.


Criada em 1957 pelo suíço Max Miedinger, baseada no tipo Odd-job Sanserif da Berthold Foundry ou Akzi¬denz Grotesk como é conhecida em alemão, a Helvétia ou Neue Haas Grotesk (pois foi uma versão nova da Akzidens, que pertencia à fundição Haas), teve seus direitos vendidos a fundição alemã D. Stempel AG, em 1961, e várias fontes de pesos e inclinações diferentes foram desenhadas para complementar a família. Só então passou a se chamar Helvética.
Em 1982 foi relançada como um novo desenho pela D. Stempel / Linotype, mais estruturada e coerente para o formato digital. A versão foi chamada Neue Helvetica.



Talvez esteja mesmo certo quem diz ser as atualizações que a tornam sempre contemporânea a causa do sucesso dessa, não deixando de ser, claro, uma caracteristicamente suíça e fria.



O projeto dessa fonte intencionava exatamente a neutralidade. Em um contexto pós-guerra a intenção era a de exatamente esquecer os tipos característicos alemães que faziam recordar os horrores nazistas. Além do mais a proposta de uma tipografia universal não era nova, a Bauhaus já havia proposto isso.
Devido essa neutralidade é que seu uso é questionavelmente satisfatório nos mais diversos projetos. Afinal quem nunca viu estampado em corpos gigantes nos out doors , essa cinqüentenária tipografia.





Outro uso comum desse tipo, no início da década de 60 foi em logo tipos, uma ironia, em um projeto que caberia um desenho tipográfico único, pois visa criar a identidade para uma marca, passou-se a usar desenfreadamente um tipo neutro, que representava o comum, mas , empresas como Lufthansa, American Airlines, BMW,dentre outras, não pensaram assim.




É o tipo não serifado mais usado e vendido da atualidade, e isso inclui, claro, as peseudo-helvéticas, imitações tais como Swiss, Geneve, Zürich, e a grande desgraça do meio universitário: a ARIAL.( Fui enfático quanto a essa última pois ainda não consegui entender bem o fato de seu uso ser exigido pela Associação Brasileira de Normas do Trabalho –ABNT- em trabalhos acadêmicos.)
Como grande parte dos leitores deve saber o tipo pirata por último mencionado foi encomendado pela Microsoft à Monotype, em 1982. Para quem a Helvética é motivo de calafrios tipográficos, a Arial é motivo para convulsões, tanto é verdade que até mesmo a Microsoft percebeu isso e retirou (graças) a Arial do Windows core fonts.
O que pensar do uso indiscriminado, algumas vezes inadequado, de um tipo que atravessou meio século e ainda se mantém no mercado?
Acredito que ainda falte uma cultura de conhecimento do valor da identidade de um desenho tipográfico, mais ainda, apesar de ser mais difundido o trabalho de tipógrafos que outrora ainda não é o suficiente para que se encomendar uma placa para uma barbearia, ou um anúncio publicitário qualquer haja o cuidado de adequar ao projeto uma fonte que lhe seja coerente e diga mais sobre ele.

http://www.tipografos.net/tipos/helvetica.html
Cadernos de tipografia 1ºedição

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