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Terra Blog

25.06.08

Gaia parte II

Tipo assim De onde surgiu a idéia de desenhar uma fonte de Dingbats?

Ricardo Gomes  Sempre que me perguntam isso, costumo dizer que as idéias não "surgem". Elas são fruto de tudo o que vemos, ouvimos e lemos a respeito de um assunto específico e de temas relacionados. A realidade é que, de tanto desenhar exaustivamente formas orgânicas em meu projetos tipográficos anteriores, comecei a observar o modo de funcionamento próprio daquelas formas e que elas poderiam se manifestar indepententemente dos signos do alfabeto. Me permiti um espaço para essa abstração. Comecei a desenhar formais orgânicas quaisquer, sem qualquer pretensão fugurativa, e aos poucos fui vendo que aquilo poderia dar samba. Com o tempo comecei a pensar em que tipo de uso aquilo poderia ter e decidi sintetizá-las em formas suficientemente simplificadas para a composição de padrões de repetição. As formas foram organizadas para que as relações entre preto e branco se estabelecessem harmonicamente dentro delas mesmas e na relação com seus pares idênticos repetidos na horizontal e na vertical. Posteriormente, essas formas foram organizadas nos caracteres tipográficos e em suas relações métricas, de modo que esses padrões pudessem se formar rapidamente utilizando o teclado.



Tipo assim  Qual a base teórica do desenvolvimento da Gaia?

Ricardo Gomes Em uma situação pragmática de mercado, nem sempre um projeto passa por uma base teórica da maneira como estamos acostumados a entender, a partir de uma herança Ulmiana. São formas que podem ou não serem aproveitadas por designers no desenvolvimento de outros projetos. Sempre penso na tipografia como uma ferramenta. Ela pode ser bastante específica e com questões técnicas de uso bastante complexas como, por exemplo, uma fonte para livro ou para jornal, ou pode passar simplesmente pela exploração da linguagem visual, como no caso da Gaia, que envolve outras questões e outros critérios de julgamento. Pelo fato de utilizar formas orgânicas abstratas que remetem às formas encontradas na natureza, achei o nome adequado. Na verdade, nos meus projetos de tipos, geralmente o nome é a última coisa que determino e sempre passo alguns bons dias refletindo a respeito. Levo muito em conideração a força gráfica e sonora do nome e o valor comercial que essa força pode adquirir.



Tipo assim  Em que situações de projeto você imaginaria a Gaia sendo aplicada?

Ricardo Gomes  As possibilidades de uso, até pelo fato de não ter pensado em nenhuma situação muito específica, pode ser praticamente infinita. Imagino ela sendo usada ou como objetos gráficos indiviuais, ou como padrões de repetição. Pode ser usada em vídeos, em embalagens, em revistas, em jogos, em websites, em materiais impressos diversos. Uma coisa que percebi em projetos anteriores é que, por mais que eu pense em um tipo de uso específico, as possibilidades criativas dos designers que vão utilizar essas ferramentas sempre vão muito além daquilo que pensei originalmente. Então essa acabou sendo a fonte em que menos me preocupei com isso. E tem dado certo.



Tipo assim  Como está sendo a aceitação da Gaia no mercado de fontes?


Ricardo Gomes Publiquei a Gaia através do MyFonts e, assim como aconteceu com minhas fontes anteriores, ela logo apareceu como destaque em um dos veículos de comunicação desse canal de vendas, o newsletter Rising Stars (http://www.myfonts.com/newsletters/rs/200806.html). Isso fez com que ela vendesse muito bem e já está há umas duas semanas em 4º lugar entre as mais vendidas de todo o acervo do MyFonts no último mês (http://www.myfonts.com/bestsellers.html). é claro que esse ranking é bastante volátil e em breve não deverá mais estar lá, pois nesse mercado de varejo, eles precisam estar sempre promovendo coisas novas. Mas fiquei muito satisfeito com o resultado.

Ao mesmo tempo fui convidado a publicá-la na edicação desse mês de junho da revista alemã Page (http://www.pege-online.de).

Novas publicações estão vindo por aí, em revistas bem conhecidas pelos designers gráficos.





Agradecimentos do Bolg Tipo Assim ao designer de tipos  Ricardo Esteves Gomes.
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