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Terra Blog

Arquivo de: Junho 2008, 14

14.06.08

Garamond

Quem foi e o que fez Claude Garamond

Nascido em 1490 na França, Claude Garamond, contemporâneo a Aldus Manutius, Leonardo da Vinci, e Henrique VII, foi um grande tipógrafo e desenhou uma das famílias mais legíveis, e de maior leiturabilidade, que levou seu sobrenome.
Trata-se da tipografia mais redesenhada do século XX projetada para textos corridos.

Matrizes originais da Garamond

Dentre todos os revivals da Garamond a que mais se aproxima da original, segundo Tom Carnasee e Baruch Gorkin é a versão da monotype, acredito, porém(em minha modesta opinião, após comparar mostras de impressos originais) ser a versão da Adobe a que mais se próxima do desenho do tipo em metal.
A primeira interpretação da Garamond, por Jean Jannon, foi, equivocadamente, atribuída ao próprio Garamond e muitas outras fontes foram feitas baseadas nas matrizes de Jannon, mas o engano foi desfeito, posteriormente, pela pesquisadora Beatrice Warde.
A tipografia, também chamada de Old Style, e baseada nos tipos romanos, denotou uma mudança na concepção da mancha gráfica, antes escura com as letras góticas, agora arejada, embarcando na onda do renascimento.
Garamond era, também, considerado um excelente entalhador de matrizes de tipos e fazia essa tarefa para outros contemporâneos franceses, como o célebre editor Robert Estienne. Em1545 montou sua própria editora e projetou seu primeiro tipo para a edição de Elegantarium Libros Laurentii Vallae, o que o fez conquistar o título de tipógrafo do rei francês François I, para quem também desenhou uma família.
Falecido em 1561, 16 anos depois seus tipos foram dispersos pela Europa, mas posteriormente ajuntados por Jacques Sabon chegando à Alemanha tornando-se uma referência na tipografia francesa e mundial.

Comparação entre as principais fontes baseadas na Garamond segundo O livrotipografia comparada de Cláudio Rocha.

Adobe Garamond
Baseadas no tipo de Jean Jannon.

a  Miolo pequeno e remate final prolongado;
g  Orelha horizontal reta, sem curvas acentuadas, e arco arredondado;
e  Grande abertura e miolo pequeno;
r  Terminal curto e espora com corte reto.

ITC Garamond
Provoca uma mancha escura ao se compor texto com essa fonte devido a acentuada espessura dos traços no desenho da letra.

a  O miolo segue forma de gota, e o gancho é bem elevado em relação ao   bojo;
g  Orelha horizontal com corte inclinado e o arco é expandido;
e  Miolo muito pequeno, grande abertura e fino arremate;
r  Terminal bem arredondado e espora com corte levemente arredondado.

Stempel Garamond
Possui menores descendentes para se adequarem aos padrões gráficos alemães, baseados nas proporções das blackletters.

a  Terminal com estilo caligráfico e remate direcionado para cima;
g  Orelha horizontal prolongada e eixo inclinado;
e  Miolo grande e espessura mais fina dos traços ;
r  Traço prolongado que liga a barra a parte final e arredondada do terminal.

Berthold Garamond
De modo geral possui um desenho mais alongado.

a  Miolo pequeno e de desenho muito semelhante a Stempel, porém com traços atenuados;
g  Bojo bem menor que o arco e orelha horizontal reta com corte reto e bem prolongada;
e  Traços sem muito contraste entre si;
r  Terminal não muito arredondado e espora levemente encurvada.

Simoncini Garamond
Formas delicadas e versáteis, boas tanto para títulos como para textos. Criam uma mancha de texto clara na página.

a  Miolo em forma de gota e terminal bem arredondada;
g  Orelha assimétrica com corte formando um ângulo com o bojo;
e  Barra fina e remate de corte reto e inclinado;
r  Espora bem encurvada e o terminal possui a parte final direcionada para baixo.

Monotype Garamond
Preserva os aspectos do tipo original e é o redesenho que mais se aproxima do original, de Claude Garamond, segundo Tom Carnasee e Baruch Gorkim.

a  Traço contínuo e bojo muito baixo em relação a junção;
g  Arco e bojo proporcionais e orelha assimétrica com corte formando um ângulo com o bojo, porém com as extremidades suavizadas por curvas;
e  Miolo pequeno e remate com corte vertical;
r  Terminal arredondado com a parte final direcionada para baixo e espora muito encurvada.

Classical Garamond
Traços mais duros e menos sutis

a  Remate curto e bojo de traço mais espesso;
g  Orelha reta de corte vertical e eixo reto do bojo;
e  Corte do remate final inclinado e miolo pequeno;
r  Espora levemente encurvada e serifa larga.

FB Garamond
O traço do desenho das letras é de espessura bem fina o que proporciona uma mancha clara quando o texto é composto.

a  Remate final fino assim como o terminal (barrigadefeituosa devido digitalização);
g  Alongada e com orelha curta;
e  Barra fina e abertura consideravelmente grande;
r  Serifa, larga, espora bem encurvada e terminal comprida com extremidade arredondada.


Textos produzido para disciplina de Gráfica II, da professora Sandra Medeiros, na Universidade Federl do Espírito Santo.

Bibliografia:

ROCHA, Cláudio. Tipografia Comparada.
ROCHA, Cláudio. Projeto tipográfico. 2º ed. São Paulo: Rosari, 2003. pp. 31, 94.
HORCADES, Carlos. A evolução da escrita: história ilustrada. 1º ed. Rio de Janeiro: Senac Rio, 2004, 128p.
CARDINALI, Luciano. Letras que bailam. São Paulo: Rosari, 2004.