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22:43:03Caros amigos a quem a tipografia fascina, após escrever sobre um tipo caligráfico, a Zapf Fino do ilustre Hermann Zapf, duas tipografias para títulos, uma com e outra sem serifa, que foram a Trajan e a Cinquentenária Helvética, o último post até então, abordava uma fonte para textos corridos, a Garamond.
Todas essas tipografias tem em comum serem tipos conhecidos e com mérito que já atravessam uns bons anos.
Para apresentar uma categoria que se diferenciasse das até então dissertadas, propus ao designer de tipos Ricardo Esteves, que comentasse um pouco sobre seu novo trabalho: A fonte Gaia.
Parte I
Tipo assim Fale um pouco sobre você profissionalmente, formação, atuação no mercado, trabalhos desenvolvidos:
Ricardo Gomes Entrei na graduação em Design da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) no início de 1999, integrando a segunda turma de um curso ainda em construção. Eram poucos designers no corpo docente e isso nos obrigou a ter uma postura bastante ativa na nossa formação - o que hoje, com um certo distanciamento, vejo como ponto positivo.
Ainda durante a graduação trabalhei como estagiário com funções de designer gráfico no antigo Centro de Comunicação e Design do Senai-ES, onde desenvolvia projetos voltados para a comunicação interna e externa da própria instituição. Foi uma boa escola paralela, pois lá tínhamos bastante liberdade para propor coisas novas, em projetos de natureza diversa, indo de sinalização à material promocional. Após esse período, que durou cerca de um ano, trabalhei como freelancer em parceria com alguns professores, principalmente em projetos editoriais - livros, revistas, catálogos, etc. Foi também um período muito enriquecedor para minha formação.
No final de 2005 finalmente me formei, apresentando como trabalho de conclusão a primeira versão da fonte Maryam e uma longa reflexão a respeito de seu processo de criação. Meu interesse pela produção tipográfica surgiu ainda em 2001, quando trabalhava com Jarbas Gomes (hoje sócio do Studio Ronaldo Barbosa) e ele me apresentou uma série de fontes experimentais que estava desenvolvendo naquele momento, utilizando um software chamado Fontographer, que hoje já caiu em desuso.
Após a conclusão da graduação e pelo fato de meu trabalho ter sido bastante aclamado, achei que seria interessante dar continuidade ao projeto da Maryam para que pudesse virar uma fonte comercial. Esse processo de refinamento e ampliação dos caracteres para um padrão profissional durou mais um ano até que a fonte estivesse "pronta" para ser lançada no mercado. Paralelamente a isso, me propus a ministrar, como professor voluntário, uma disciplina experimental de design de tipos, que criei como uma optativa para curso de design da Ufes. A idéia era, a partir da experiência prática que estava tendo com o design de fontes, propor um espaço que pudesse preencher uma lacuna na formação regular dos alunos. Pouco depois, acabei integrando o corpo docence como professor substituto - uma experiência que duraria até o final de 2007.
Com o lançamento da Maryam no mercado internacional tive um retorno de uma proporção que eu jamais esperaria. Quase que subitamente, passaria da categoria de "ilustre desconhecido" para um "jovem designer de tipos expoente do Brasil". Esse retorno de crítica e de vendas me impulsionou para continuar trabalhando nessa área e no mesmo ano lançaria ainda as famílias Scrivano e Jana Thork, ambas obtendo semelhante resultado no mercado intrenacional. Com essa realidade profissional, percebo que estou me tornado cada vez menos designer gráfico e mais designer de tipos.
No início desse ano de 2008 integrei a mais nova turma do Mestrado em Design na Esdi e me mudei para a cidade do Rio de Janeiro, onde estou desenvolvendo uma pesquisa cujo foco são os processos de criação de famílias tipográficas na contemporaneidade.
Tipo assim O que são Dingbats?
Ricardo Gomes Dingbats, originalmente, são ornamentos, florões, ou temas figurativos que podem integrar a composição tipográfica. Em várias famílias tipográficas antigas, esses ornamentos eram integrados ao conjunto de caracteres como mais algumas alternativas formais para que o designer/tipógrafo pudesse compor sua página. Com a tipografia digital, esse nome vem sendo usado para descrever qualquer tipo de arquivo de fonte que não usa as convenções do albabeto, ou seja, que não serve para ler e escrever.

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22:28:33Quem foi e o que fez Claude Garamond
Nascido em 1490 na França, Claude Garamond, contemporâneo a Aldus Manutius, Leonardo da Vinci, e Henrique VII, foi um grande tipógrafo e desenhou uma das famílias mais legíveis, e de maior leiturabilidade, que levou seu sobrenome.
Trata-se da tipografia mais redesenhada do século XX projetada para textos corridos.

Matrizes originais da Garamond
Dentre todos os revivals da Garamond a que mais se aproxima da original, segundo Tom Carnasee e Baruch Gorkin é a versão da monotype, acredito, porém(em minha modesta opinião, após comparar mostras de impressos originais) ser a versão da Adobe a que mais se próxima do desenho do tipo em metal.
A primeira interpretação da Garamond, por Jean Jannon, foi, equivocadamente, atribuída ao próprio Garamond e muitas outras fontes foram feitas baseadas nas matrizes de Jannon, mas o engano foi desfeito, posteriormente, pela pesquisadora Beatrice Warde.
A tipografia, também chamada de Old Style, e baseada nos tipos romanos, denotou uma mudança na concepção da mancha gráfica, antes escura com as letras góticas, agora arejada, embarcando na onda do renascimento.
Garamond era, também, considerado um excelente entalhador de matrizes de tipos e fazia essa tarefa para outros contemporâneos franceses, como o célebre editor Robert Estienne. Em1545 montou sua própria editora e projetou seu primeiro tipo para a edição de Elegantarium Libros Laurentii Vallae, o que o fez conquistar o título de tipógrafo do rei francês François I, para quem também desenhou uma família.
Falecido em 1561, 16 anos depois seus tipos foram dispersos pela Europa, mas posteriormente ajuntados por Jacques Sabon chegando à Alemanha tornando-se uma referência na tipografia francesa e mundial.
Comparação entre as principais fontes baseadas na Garamond segundo O livrotipografia comparada de Cláudio Rocha.
Adobe Garamond
Baseadas no tipo de Jean Jannon. 
a Miolo pequeno e remate final prolongado;
g Orelha horizontal reta, sem curvas acentuadas, e arco arredondado;
e Grande abertura e miolo pequeno;
r Terminal curto e espora com corte reto.
ITC Garamond
Provoca uma mancha escura ao se compor texto com essa fonte devido a acentuada espessura dos traços no desenho da letra. 
a O miolo segue forma de gota, e o gancho é bem elevado em relação ao bojo;
g Orelha horizontal com corte inclinado e o arco é expandido;
e Miolo muito pequeno, grande abertura e fino arremate;
r Terminal bem arredondado e espora com corte levemente arredondado.
Stempel Garamond
Possui menores descendentes para se adequarem aos padrões gráficos alemães, baseados nas proporções das blackletters.

a Terminal com estilo caligráfico e remate direcionado para cima;
g Orelha horizontal prolongada e eixo inclinado;
e Miolo grande e espessura mais fina dos traços ;
r Traço prolongado que liga a barra a parte final e arredondada do terminal.
Berthold Garamond
De modo geral possui um desenho mais alongado. 
a Miolo pequeno e de desenho muito semelhante a Stempel, porém com traços atenuados;
g Bojo bem menor que o arco e orelha horizontal reta com corte reto e bem prolongada;
e Traços sem muito contraste entre si;
r Terminal não muito arredondado e espora levemente encurvada.
Simoncini Garamond
Formas delicadas e versáteis, boas tanto para títulos como para textos. Criam uma mancha de texto clara na página. 
a Miolo em forma de gota e terminal bem arredondada;
g Orelha assimétrica com corte formando um ângulo com o bojo;
e Barra fina e remate de corte reto e inclinado;
r Espora bem encurvada e o terminal possui a parte final direcionada para baixo.
Monotype Garamond
Preserva os aspectos do tipo original e é o redesenho que mais se aproxima do original, de Claude Garamond, segundo Tom Carnasee e Baruch Gorkim. 
a Traço contínuo e bojo muito baixo em relação a junção;
g Arco e bojo proporcionais e orelha assimétrica com corte formando um ângulo com o bojo, porém com as extremidades suavizadas por curvas;
e Miolo pequeno e remate com corte vertical;
r Terminal arredondado com a parte final direcionada para baixo e espora muito encurvada.
Classical Garamond
Traços mais duros e menos sutis 
a Remate curto e bojo de traço mais espesso;
g Orelha reta de corte vertical e eixo reto do bojo;
e Corte do remate final inclinado e miolo pequeno;
r Espora levemente encurvada e serifa larga.
FB Garamond
O traço do desenho das letras é de espessura bem fina o que proporciona uma mancha clara quando o texto é composto. 
a Remate final fino assim como o terminal (barrigadefeituosa devido digitalização);
g Alongada e com orelha curta;
e Barra fina e abertura consideravelmente grande;
r Serifa, larga, espora bem encurvada e terminal comprida com extremidade arredondada.
Textos produzido para disciplina de Gráfica II, da professora Sandra Medeiros, na Universidade Federl do Espírito Santo.
Bibliografia:
ROCHA, Cláudio. Tipografia Comparada.
ROCHA, Cláudio. Projeto tipográfico. 2º ed. São Paulo: Rosari, 2003. pp. 31, 94.
HORCADES, Carlos. A evolução da escrita: história ilustrada. 1º ed. Rio de Janeiro: Senac Rio, 2004, 128p.
CARDINALI, Luciano. Letras que bailam. São Paulo: Rosari, 2004.

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