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Data-se do ano 113 a inscrição comemorativa pelas vitórias do imperador Trajano contra os dácios. A inscrição que se encontra no foro Imperial em Roma é de grande simplicidade e elegância, tanto que fascinou durante séculos estudiosos e artista tais como Leonardo da Vinci , o calígrafo Edward Johnston e o tipógrafo Frederic Goudy que chegou a desenhar uma versão da Trajan.
Esse tipo tem sua ascendência nas caixas-altas, de linhas retas, grande abertura e esculpidos em pedra utilizando-se de um cinzel e martelo na Grécia antiga, e que posteriormente tornou-se o modo formal de escrita romano, a chamada Capitalis Quadrata, termo que indica letras versais cinzeladas em pedra.
Há uma versão de Frederic Goudy e outra de Carol Twombly, pela Adobe. A deste é sem dúvida apaixonante devido sua clareza, sublime. Já a de Goldy, em minha modesta, mas também válida opinião, não possui a continuidade de traços que a de Twombly, parece-me contida.


A preferência de alguns por esta fonte quando se quer dar um toque de elegância, classe ou até seriedade a um projeto se deve ao grande equilíbrio existente nesse desenho. Uma harmonia, não precisamente matemática, que trás serifas presas a haste por uma ligação prolongada, como se fosse cortada por uma grande circunferência. Além do fato das linhas verticais serem mais grossas, o que nos fazer perceber maior homogeneidade no todo do texto, pois tendemos a ver as linhas horizontais mais espessas.
Na coluna de Trajano as letras das linhas mais altas possuíam corpo maior para compensar a aparência menor, vista de baixo, caso tivessem corpo igual as demais. Foi considerada, também, as posições da luz durante o dia para se calcular a profundidade necessária ao entalhamento, o que conferiria a real espessura às hastes, e brilho e sombra em posições diferentes durante todo o dia..
Acredita-se que esse tipo romano tenha sido institucionalizado por Hollywood. Claro que isso é um exagero, mas é de se entender quando o vemos nos filmes, Uma mente brilhante, Eu sou a Lenda, Inteligência Artificial, Memórias de uma Gueixa, O último Samurai e Mar em Fúria. Esses são apenas os mais populares, a lista seria interminável se todos fossem aqui colocados. 
Não creio que haja uma explicação precisa para o uso extremo dessa fonte em filmes, talvez sua leveza e elegância se tornem também uma forma de neutralidade o que a faz se adequar aos mais diferentes projetos.
Importa-nos por fim, saber que os tipos Capitalis Quadrata sofreram alterações após a queda do Império Romano e adquiriram formas mais arredondadas e caligráficas. Trata-se da Uncial, um tipo predominante na Idade Média, sobre tudo no Império Bizantino, e que trás ao ocidente a herança romana e a forma do que veio a ser as atuais caixas-baixas.
Rocha, Cláudio, Projeto tipográfico. 2º Ed. São Paulo: Rosari, 2003.
Bringhurst, Robert, Elementos do estilo tipográfico, 3ºEd. São Paulo Cosacnaify, 2005.
http://tipografos.net/tipos/letra-dos-romanos-1.html
http://exvertebrum.wordpress.com/2008/02/15/trajan-a-fonte-dos-filmes/

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16:49:48